Sábado, 8 de Março de 2008

Muito mais de 80000! Cerca de 100000?


Foto da Marcha desta tarde, no Marquês. Fonte: Paulo Guinote, blog http://www.educar.wordpress.com/


Acabei de chegar a casa. Fomos mais de 80000 nas ruas de Lisboa num dia que fica para a História. Até a polícia reconhece que fomos muito mais de 80000. Pessoalmente, foi uma experiência humanamente enriquecedora. Quase dois terços dos professores portugueses marcaram presença. Havia alegria nos olhos dos professores. Reencontros, abraços e cumplicidades. Foi lindo de se ver. Se for necessário, voltaremos a Lisboa. Uma profissão levanta-se em defesa da sua dignidade. Na segunda- feira, a luta continua. A palavra de ordem é: todos de luto! Na última semana do trimestre, os professores vestem-se de negro sempre que forem para a escola.
Cheguei a casa ainda a tempo de ver o noticiário das 22 horas. A ministra afirma que não vai mudar nada. Justifica-se dizendo que o país não pode esperar mais por esta reforma. Mas que reforma é esta? Se premiar os melhores professores fosse o resultado desta avaliação por que razão se fez o primeiro concurso para titulares antes desta avaliação? A prova de que não há qualquer relação entre esta avaliação e a necessidade de premiar os melhores professores é que o concurso para professores titulares foi feito antes da aprovação deste modelo de avaliação. E que reforma é esta? Por que razão diz a ministra que é essencial para Portugal? É do interesse de Portugal que se insista na CONSTRUÇÃO DA GRANDE MENTIRA, ou seja, que se reforce uma política e um contexto em que todos os alunos passem de ano mesmo que não saibam nada e mesmo que faltem repetidamente sem qualquer justificação? Por que razão esta obsessão da ministra pela construção do sucesso estatístico? Para lançar números para cima do Povo nas vésperas das eleições? É do interesse de Portugal continuar a desrespeitar os professores, a retirar-lhes autoridade e a lançar para cima deles todas as culpas pelo que de errado existe nas escolas? É do interesse de Portugal transfomar os professores em empregados domésticos dos pais? É do interesse de Portugal encerrar as crianças e os jovens durante 10 ou 12 horas por dia dentro de uma escola? É do interesse de Portugal manter um exército de professores contratados a ganharem um salário miserável e na maior precaridade possível?

12 comentários:

Anónimo disse...

Andarei sempre de luto, pela renegociação do estatuto da carreira docente, até que se faça justiça.

Anónimo disse...

Vamos todos andar de luto na próxima semana.
Ramiro

Fátima André disse...

Pensa-se que os valores sejam mais elevados... a rondar os 100 000 (segundo números avançados pelas fontes sindicais... penso que sim... houve uns milhares de pessoas que foram por meios próprios...
Mas foi um espectáculo... nunca vi uma coisa assim... só mesmo a revolução de Abril de 74.

brit com disse...

Boas vindas de volta.
Se quiseres podes ler no Cartel o acompanhamento dos OCS e dos blogs...
Fui fazendo um apanhado do que consegui.
Agora, o descanso do guerreiro... até amanhã.
Luto.

kosmos disse...

Completamente de acordo, amigo e colega Ramiro Marques.


Ainda hoje vou tentar 'postar' uma proposta de avaliação de desempenho (com outras mais amplas consequências) no Blog 'Kosmografias'.

A sua (incontornável, incansável e eloquente intervenção e, por consequência, também liderança) é absolutamente necessária agora e nos próximos tempos, como mais logo poderá constatar.

Mas também muito necessária e intransmissível será a contribuição de todos os nossos colegas e amigos professores que heroicamente têm lutado, aqui e na vida escolar diária, 'tête--tête, por devolver à democracia as indispensáveis participação cidadã e ética profissional.

A todos -é com vincado e redobrado regozijo democrático e insuflado valor humano que digo isto- a todos os meus colegas, cidadãos e profissionais da educação, deposito , sem reservas, uma confiança enorme, ainda que, como é natural, aqui e acolá o pardo unanimismo nacional (típico das autocracias e das sociedades pouco escolarizadas)teime em não singrar.

Por isso (ou também por isso), a participação de todos na apresentação de modelos (e modelações políticas) alternativos às políticas educativas actuais é urgente e necessária.

Creio que o modelo de avaliação que estou a elaborar, para vos disponibilizar e colocar à discussão (aqui e nas Escolas), tem pernas paraa andar. É credível. É objectivo. Serve os professores na medida em que serve, em primeira e última instâncias, os alunos e as suas famílias.

Mais uma ou duas horas e teremos os fundamentos do modelo (a ministra queixa-se que não lhe apresentam alternativas)divulgado publicamente, para discussão participada, claro.

Um forte, perene e amigo abraço do seu e vosso

Fernando Cortes Leal,
legível (também) em http://kosmografias.wordpress.com

Anónimo disse...

http://www.sauv.net/meurotext.php?lang=PT

Manifesto europeu
em defesa da instrução e da cultura



Nós, abaixo assinados, professores, intelectuais e cidadãos preocupados com a situação do ensino e da cultura no seio da União Europeia,


PROCLAMAMOS AO PARLAMENTO EUROPEU

1. Que os agentes dos sistemas educativos devem ter como objectivo principal a promoção do mais alto nível cultural possível na população em geral, não se contentando pois em animar a simples escolarização de um determinado grupo etário. A fim de tornar o ensino eficaz, devem ainda incutir o valor do esforço individual e o respeito pelo professor. Que o sistema educativo deve ser orientado para uma avaliação dos conhecimentos disciplinares efectivamente adquiridos por cada aluno.

2. Que para esse fim se torna indispensável dar aos alunos bases suficientemente sólidas desde o início da escolarização. Da mesma forma, a elevação do nível cultural da população exige um reforço da aprendizagem científica e literária no Ensino Secundário.

3. Que a imposição, por parte de certos Estados, de políticas educativas baseadas na incorrectamente denominada “pedagogia moderna” e em noções como o “construtivismo” (que, sob uma aparência de inovação, escondem o desprezo pelos elementos fundamentais da aprendizagem e consequentemente pelos alunos, que deles ficam privados) não terá outro o efeito que não seja destruir a transmissão de conhecimentos.

4. Que assim se torna necessário estabelecer uma clara diferença entre o Ensino Primário (instrução nos domínios fundamentais) e o Ensino Secundário (reforço significativo dos conhecimentos científicos e literários). Que o Ensino Secundário deve ser reconhecido oficialmente em todos os países da União Europeia, ter duração adequada e constituir uma identidade própria, representando bem mais do que um simples patamar de acesso à Universidade ou aos Estudos superiores de Formação Profissional.

5. Que, finalmente, a homologação dos conhecimentos nos diferentes estados membros se deva apoiar na sua avaliação individual por professores e Estados através de provas gerais no fim dos ciclos secundários.

Por conseguinte, nós abaixo-assinados

Apresentamos ao Parlamento Europeu a seguinte petição :

O Parlamento Europeu deverá pressionar os Estados membros no sentido de :



Ter em conta as propostas educativas dos professores, únicos e verdadeiros profissionais do ensino, a todos os níveis académicos, em vez de os sobrecarregar, muitas vezes em detrimento da sua própria liberdade pedagógica, com a incessante programação de actividades inúteis. Promulgar a legislação necessária para que sejam devidamente respeitados.


Dar prioridade à instrução nos saberes elementares, tais como a língua oficial do país e as matemáticas desde o início da escolarização. Favorecer a aquisição eficaz dos conhecimentos associados a estes domínios, garantindo nomeadamente os horários necessários à sua aprendizagem.


Garantir, ao longo de todo o Ensino Secundário, uma formação em ciências e em letras que favoreça o conhecimento europeu tradicional e partilhado e que assegure a formação crítica no espírito iluminista, contrariamente ao preconizado na “estratégia de Lisboa”, que reduz a escola a um serviço e o saber a um conjunto de “competências” parcelares.


Garantir, no quadro da convergência europeia, um grau comum de Bacharelato, com uma duração preparatória mínima de três anos, cujo diploma seja homologado pelas Administrações educativas através de um exame directo dos conhecimentos dos alunos, independente dos seus estabelecimentos de origem e do seu controle continuado.

Ana disse...

Curioso foi ver o envolvimento e a participação de pessoas exteriores à manifestação que, enquanto descíamos a avenida, batiam palmas à nossa passagem.
Muito bonito.

António Costa disse...

Luto pela Educação, sim, no meu país, onde não sou mercenário, não me vendo.
Lutamos, todos, como hoje pudemos sentir.
Haja "luto", sempre e enquanto não formos considerados e ouvidos.

"Camarada" Ramiro Marques:
a sua clarividência, a sua coragem e a sua "presença" humilde e militante neste tempo difícil preenche os vazios de angústia e impotência que sentimos e cria o cimento que progressivamente nos vai unindo e tornando inquebrável a esperança e determinação em finalmente despertarmos como verdadeira Classe.
Que a sua atitude e o seu exemplo permitam trazer e libertar, quiçá reféns do sistema,outros "Ramiros" esclarecidos que possam contribuir para a dignificação e afirmação de uma classe que tem de ser acarinhada e respeitada.
Estes tempos e estes exemplos ficarão marcados para sempre na nossa consciência individual e colectiva.
OBRIGADO.

Anónimo disse...

Obrigado. Só cumpri o meu dever. E esou a fazê-lo co alegria e satisfação. Sou um professor e tenho de estar entre os meus. De outra forma, estaria a renegar os meus familiares (quase todos proefssores) e uma vida dedicada ao ensino. Esta é a luta mais bonita que eu vivi e em que participei desde 1974!
Com esta luta, os professores estão a dignificar a sua profissão e a resgatar a escola do mal que as políticas erradas lhe tem feito.
Ramiro

paulo g. disse...

O link tem um "e" a mais. Assim vai dar a outro lado.

Mas isso é o que menos interessa.

Anónimo disse...

Boa tarde, Paulo G.!
Não sei qual é o link a que se refere? Qual é?
Ramiro

Anónimo disse...

Corrijo. Não sei qual é o link a que se refere! Qual é?
Ramiro