ATLs em risco de fechar: IPSS denunciam ataques do ME



Valência, ontem

Os problemas das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) começaram em 2005, com as alterações no regime da escola pública e o consequente alargamento dos horários. Mais de 90% das escolas do primeiro ciclo passaram a funcionar a tempo inteiro, entre as 9.00 e as 17.30. A medida é elogiada pelos pais, que dizem que as IPSS "não souberam adaptar-se à nova realidade".

A afirmação é de Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), que argumenta: "A escola a tempo inteiro é uma conquista dos pais, que defendíamos há 30 anos. O problema das IPSS é um falso problema. Não podem funcionar como se nada disto tivesse acontecido. Podem ter um papel importante mas, para isso, tem que se articular com as autarquias e alargar o serviço aos 2.º e 3.º ciclos. A escola a tempo inteiro é que garante verdadeiramente a igualdade entre os alunos".

Aquele dirigente dá o exemplo dos ATL dinamizados pelas associações de pais e pelas autarquias para explicar que é possível sobreviver com o novo regime. É que ficam por preencher as pontas dos horários lectivos (antes das 9.00 e depois das 17.30) e o períodos de férias. Outra das hipóteses é alargar os serviços de apoio aos alunos do 2.º e 3.º ciclos.

O investimento no sector público levou a uma redução do financiamento das IPSS, mas o Ministério da Educação apresenta contas para justificar a opção. Actualmente, gastam cem milhões de euros com o financiamento das 400 mil crianças que estão em unidades geridas pelas autarquias, enquanto que o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social (MTSS) atribuía 60 milhões para as cem mil crianças das IPSS.

Em 2006, foi assinado um protocolo de cooperação entre o MSTT e a União das Misericórdias Portuguesas com as novas formas de financiamento. Apontava, também, para um estudo sobre a reconversão dos seus ATL, que asseguravam actividades extracurriculares a 30% das crianças do 1.º ciclo e de forma a garantir o preenchimento de um horário mais alargado. Uma das possibilidades apresentadas é a passagem para centros de actividades de tempos livres (CATL).

O Ministério da Educação não reage ao encontro de Fátima, remetendo uma resposta para o comunicado de 1 de Fevereiro. "Atendendo à previsível redução do número de alunos a frequentar os ATL das IPSS decorrente da generalização das actividades de enriquecimento curricular (AEC), o Governo, através do MTSS, tem mantido com as IPSS um diálogo constante", diz o texto.

E esclarece que as AEC "têm conteúdos e metodologias diferentes das ATL. São actividade escolares que integram os projectos educativos das escolas e que envolvem profissionais qualificados. Os ATL promovido pelas IPSS destinam-se à mera ocupação de tempos livres e ocorrem em espaços e em termos diferentes dos tempos escolares.

In DN de hoje

4 comentários:

  Anónimo

18 de Maio de 2008 18:02

As AEC vão ser um sucesso segundo o ME e a Confap.
Lindos meninos!
Precisa-se de professores para amas-secas para meninos e meninas até às 9 horas, para depois das 17.30 horas, para as interrupções lectivas, férias, fins de semanas e outros extras para substituir os pais e encarregados de educação que não têm tempo para os seus filhos e educandos!
Já muitos fizeram em pô-los no mundo e foram resultado de preservativos picados ou estourados!
E já que os professores são una malandros!
Vão trabalhar malandros!
E depois as IPSS cheiram à religião, a Igreja e a pessoas de boa vontade e…
é preciso acabar com elas!
Caramba!
É certo que no futuro vai ser tudo privatizado: A Educação, a Saúde, As Forças Armadas, tudo..
Mas enquanto não forem privatizados vamos empurrando para as autarquias,
para enganar professores desempregados
e para os lixar!
E a ver se as IPSS desanimam e nós entretanto vamo-nos governando com esses subsídios que são fáceis de sacar!
Basta ter papéis de gastos!
Enfim uma maravilha!!!

  Anónimo

18 de Maio de 2008 21:20

"as AEC "têm conteúdos e metodologias diferentes das ATL. São actividade escolares que integram os projectos educativos das escolas e que envolvem profissionais qualificados. Os ATL promovido pelas IPSS destinam-se à mera ocupação de tempos livres e ocorrem em espaços e em termos diferentes dos tempos escolares."

Esta parte final do post é uma verdadeira mentira, pelo que conheço, no que diz respeito às AEC!!!
1 - Actividades escolares?? Então a sigla não quer dizer "actividades extra-curriculares"?
2 - Não sabia que as autarquias têm projecto educativo!!!Elas é que são a entidade patronal!!!
3 - Profissionais qualificados??? Onde??? Tocar numa banda filarmónica, ter um ginásio ou uma escola de línguas dá qualificação para a docência???

Que hipocrisia!!! Só aos docentes das carreiras do ME é que é exigido rigor!!!

  maria francisca novais

19 de Maio de 2008 00:53

o 1.º anónimo escreveu:

"Precisa-se de professores para amas-secas para meninos e meninas até às 9 horas, para depois das 17.30 horas, para as interrupções lectivas..."

Nos infanfantários públicos/colégios privados praticam-se horários alargados, e tal não é garantido pelos professores.

  Anónimo

16 de Outubro de 2008 17:01

Pois, o problema é que com a hipotese, recentemente criada, de as IPSS poderem ser promotoras integrais das AEC, quem vai perder são as escolas e autarquias, pois seguramente em 90% dos casos as IPSS são mais capazes de concretizar essas actividades do que as Autarquias...

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